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A Era das Chacinas Lyrics by Eduardo Taddeo

A Fantástica Fábrica de Cadáver

2014

[Letra de "A Era das Chacinas" com Eduardo Taddeo]
[Verso 1]
Os crimes mais bárbaros não vem dos salves
Vem dos que ostentam placa de vigilância na propriedade
Pra proteger o Patek Philipe, a ilha particular
Fundaram a época dos gambés licenciados pra matar
O ciclo onde a barca enquadra, faz o levantamento
Pra milícia de Gol, placa fria, gerar dez sepultamentos
O toque de recolher do governo de esquerda
Criam retiro de arrasados pelos estágios da perda
O dó-ré-mi da BXP afeta a coronária
Do que implora exumação pra apurar morte arquivada
Enquanto o rap põe gelo no balde da ostentação
Alugam busão pro cortejos da assolação
Militantes sagram, denunciando a injustiça seletiva
Que criminaliza, condena, dizima, população empobrecida
A Síria se assustaria com oito carros funerários
Saindo do mesmo bairro, no mesmo horário
Em uma semana os protetores dos lordes brancos
Matam mais que a ditadura em 20 anos
No hit estamos no Challenger magnífico
Na real enchemos macas, baús, frigoríficos
Com sorte quando a 12 do paiol da PM engasga
Formamo a fila do SUS por enxerto em plástica
Minha rima se junta ao clamor de justiça na cartolina
Pra ser outro ato de repúdio contra a era das chacinas
[Refrão]
A era contemporânea com seus rifles e toucas ninjas
Deu luz, no solo segregado, a era das chacinas
Depois das 10 todo excluído, vira alvo vivo
Candidato aos clá-clá-bum e velório coletivo
A era contemporânea com seus rifles e toucas ninjas
Deu luz, no solo segregado, a era das chacinas
Depois das 10 todo excluído, vira alvo vivo
Candidato aos clá-clá-bum e velório coletivo
[Verso 2]
O pedido do secretário de segurança é especifico
"Soldados, atenção! Sem testemunha e feridos
Abatam pelo cabelo, pela roupa, pela cor
Só cuidado com a laje, com cinegrafista amador"
Dá um vazio ver que ainda não fiz o escrito
Com o poder de evitar os enterros coletivos
Impedir que os antigos vizinhos de rua
Depois dos bum se tornem vizinhos de sepultura
Meu sonho é ver na cova clandestina com estuprador
Os pedaços decompostos de uma pá de ditador
Também queria uma comissão de verdade e justiça
Pra jugar 19 milhões de assassinos racistas
Assinaturas em condenações pelo recorde consumado
De autopsia na faixa etária dos 15 aos 24
Cadê a presidenta que chora por um universitário
Em prantos pelo favelado chacinado?
Pousando a porra do helicóptero presidencial
Pra visitar sobrevivente em recuperação no hospital?
Só abaixo minhas armas e deixo o combate
Com 90% das vagas, das faculdades
Enquanto a representatividade for no índice de finados
Muito Eike vai ter pesadelo com o Eduardo
Na era moderna iluminista pedia igualdade
Na era das chacinas pedem restos mortais pras autoridades
[Refrão]
A era contemporânea com seus rifles e toucas ninjas
Deu luz, no solo segregado, a era das chacinas
Depois das 10 todo excluído, vira alvo vivo
Candidato aos clá-clá-bum e velório coletivo
A era contemporânea com seus rifles e toucas ninjas
Deu luz, no solo segregado, a era das chacinas
Depois das 10 todo excluído, vira alvo vivo
Candidato aos clá-clá-bum e velório coletivo
[Verso 3]
Irmão, se sair do atendado da elite com vida
Cuida dos ferimentos em casa, não vai na clínica
Se for internado, assinou o suicídio
O plantonista liga pros vermes terminarem o serviço
Não existe humanidade, juramento de Hipócrates
Quando o choque hipovolêmico sufoca o pobre
O avanço de nossa era é celular com cartão de memória
Que armazena os gigas de sumiço das capsulas predatórias
Dá zoom no PM, chefe do time
Que destrói sem constrangimento a cena do crime
Colhemos as tragédias do plano de higienização
Por que nunca entramos nos comitês com granada na mão
Se pudesse bloquearia o patrimônio do governador
Pra dividir com degradados pelo terror
Como não dá, empresto a voz pra garganta silenciada
Pela 762 com rajada sequenciada
Pra mãe que enfrenta promotores, armada de foto
Que com sua luta evita outros atestados de óbito
Meu crítico pode negar as traçantes do extermínio
Mas não afirmar que pertencemos a uma pátria, um hino
Se é excluído não conhecesse a democracia
Muito menos alegria representada na alegoria
Assim que a quadra receber, caixões no lugar de torcida
Se sentirá, como eu, na era das chacina
[Refrão]
A era contemporânea com seus rifles e toucas ninjas
Deu luz, no solo segregado, a era das chacinas
Depois das 10 todo excluído, vira alvo vivo
Candidato aos clá-clá-bum e velório coletivo
A era contemporânea com seus rifles e toucas ninjas
Deu luz, no solo segregado, a era das chacinas
Depois das 10 todo excluído, vira alvo vivo
Candidato aos clá-clá-bum e velório coletivo

About “A Era das Chacinas” by Eduardo Taddeo

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"A Era das Chacinas" appears on "A Fantástica Fábrica de Cadáver" in 2014.

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