(Verso 1)
Hoje em dia toda a gente quer viver o presente
O amanhã foi cancelado devido à falta de interesse
Então hoje, eu vou viver até surgir um contratempo
Amanhã eu pago o preço numa corrida contra o tempo
Quando a birra estiver quente e morta
Já nem o que é excelente importa
Quando paki, bolota, ácido, coca
São rotina e nem são moca
Emborca, quê que importa agora?
Uma cabeça sóbria é uma cabeça à nora
Sem cabeça própria, estou com a cabeça à nora
A sonhar com a glória e com a cadência fora
Guardo na memória, toda a minha história
Com a cabeça em alto-mar e ninguém para mandar bóia
O meu cérebro e o meu corpo divorciaram-se agora
E nenhum deles os dois parece querer dar custódia
É foda mas um gajo continua
Sei que não estou bem mas um gajo nunca muda
Vai para escola mas não estuda, nem conhece a sua turma
Finge que é responsável, vai para rua bebe e fuma
E na altura oportuna para algo
Vem amargura com a lacuna de saldo
É só a puta da coluna no palco
Que me estimula e me tatua o passado
E o people meu amigo, não é muito mas é bom
People que está comigo seja qual for o tom
Ri comigo na comédia, dá moral durante o drama
Por isso é que fiquei tão triste quando o Ricky foi de cana
Porque a fama é o que engana a mente humana
E um bandido pode ser de confiança
Eu tenho quatro ou cinco manos e uma mana
O resto é só people que mora lá na zona
(Refrão)
Venho à tona com a moral que me emociona
Tenho de agradecer a Deus não haver dia que não coma
Tenho de agradecer aos meus sempre que um gajo não tomba
Continuar a batalhar pelo meu lugar na sombra
Porque eu estou na lona mas levanto na boa
Não é por estar na rua que eu ando lá à toa
Não é por estar na rua que um gajo não ambiciona
Muito mais do que esta puta Reboleira proporciona
Porque eu estou na fronta e não quero mais
Olho para a minha conta, sonho com o zero a mais
Sempre que prometem algo é lero a mais
Pago o caro preço de ser sincero demais
G espero mais, sim, berro mais
Talvez seja eu que sou singelo demais
Estou a falar para caralho, tenho papel a mais
Estou a viver muito rápido, eu sou Obikwelu demais
(Verso 2)
Problemas com a lei, eu não quero mais disso
Eu só falo do que sei, quero poder falar de peace
E não tenho qualquer sócio que seja sócio da police
Só na esquadra é que vejo o povo com um lugar cativo
É o motivo, para estar aqui a divagar
Sei que soa depressivo, RAP é o meu Prozac
E eu quero abrandar, quero ir mais devagar
Mas não dá para ir devagar se estão atrás a buzinar
E este fumo que está no ar, não é do meu cigarro
Este fumo que está no ar, fantasmas do passado
Trazem o pior cancro que alguém pode ter na vida
A incapacidade de andar na rua com a cabeça erguida
E eu tento erguer a minha mas ela nem sempre quer
E eu tento andar na linha, não há nada que se altere
E em toda a minha vida não tive falta de mulher
Mas afogo-me em bebida, perco a vontade de sexo
Hoje quero algo sério, amanhã nem quero nada
Não acredito em adultério, sempre acreditei no karma
Eu dou barra atrás de barra, não vai dar e nunca deu
Quando me apaixonar a sério quem vai levar barra sou eu
Não sei o que aconteceu, sei que não veio à balda
Já está mais do que na hora de ir do recreio para sala
E em que é que eu reparo ao estar a meio da tala?
Que matei o meu futuro e ainda tenho a bala
(Refrão)
Venho à tona com a moral que me emociona
Tenho de agradecer a Deus não haver dia que não coma
Tenho de agradecer aos meus sempre que um gajo não tomba
Continuar a batalhar pelo meu lugar na sombra
Porque eu estou na lona mas levanto na boa
Não é por estar na rua que eu ando lá à toa
Não é por estar na rua que um gajo não ambiciona
Muito mais do que esta puta Reboleira proporciona
Porque eu estou na fronta e não quero mais
Olho para a minha conta, sonho com o zero a mais
Sempre que prometem algo é lero a mais
Pago o caro preço de ser sincero demais
G espero mais, sim, berro mais
Talvez seja eu que sou singelo demais
Estou a falar para caralho, tenho papel a mais
Estou a viver muito rápido, eu sou Obikwelu demais