[Verso 1] Não rimo merda ou trapalhices, se é p'ra acabar atrapalhado Não sou nova ou velha escola, sou a escola que tenho criado Querem ver-me vendido, mas nunca serei vendado Só respeito o meu estilo, caro de mais para ser comprado Verdade a mais pra ser ouvido e prós que sentem é louvado Nunca vou viver esquecido, vou morrer p'ra ser lembrado Eu quero é viver o sonho, em vez de sonhar acordado Vou é viver a vida, nem que morra tenho tentado O meu rap me não passou ao lado, passou-vos por cima Porque eu não rimo o que querem, só rimo a minha vida Rimo quem me move, rimo o que me motiva Rimo a minha perspetiva, rimo a minha real Vila! Não faço rap comum, faço rap comunitário Serviço público para um público que anda ao contrário Ando a gastar vocabulário e a esgotar o dicionário É que eu só paro, quando disserem que eu sou lendário [Refrão] 'Tou na segunda dimensão A ver a vila do avesso Onde quando falam de ambição Nunca pensam no sucesso Desde sempre que o que eu quero é dar cartas Mas não foi isso que me fez ficar de gatas Por a corda ao pescoço e atirar-me a um poço Deixar de ser quem sou para se virem no meu dorso? [Verso 2] 'Tou a pairar sem para quedas para não parar nas pedras Esperam pra dar corda às pernas pedem pra eu cumprir as regras Comparam para apontar negas, procuram o meu rap às cegas Mas ando com a skill em brasa e já só me pegam com pegas Todos me avisaram, neste jogo não há pausas Há muito quem estenda o braço, sem ser por boas causas Isto não tá fácil, quem quer incendiar casas Ou chupa umas pirocas ou tem de baixar as calças Motherfuckers Eu sou da terra em que os sonhos são impossíveis E se tu sonhas as bocas são previsíveis Quantos talentos aqui viram invisiveis Porque as críticas destrutivas estão sempre disponíveis Novos niveis aqui pouca gente aceita Novas ideias aqui ninguém respeita Se cada um faz a cama onde se deita Aqui nunca sonhas porque a cama 'tá sempre desfeita [Verso 3] Aqui nunca és quem és, és quem eles querem que sejas Aqui nunca vês o que queres, eles querem é que tu vejas Que aqui nunca vais ser ninguém para além de picas e cervejas E se tentas ir mais além tapam-te os olhos com invejas
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