[Verso 1: JêPê]
Há quem diga “Jêpas abranda por amor de Deus”
Mas eu não o faria, nem que tivesse amor por eles
O sucesso é viciante
E tendo o Jimmy como mais velho, começo a achar que está no sangue
Ya, a vida não nos fez irmãos a nós
Mas nós tratamos que ela nos fizesse irmãos de voz
De concerto p'ra concerto, nem tudo o que vês é certo
Porque é nos bastidores que fica parte do nosso reflexo
Tanta história abafada por palmas, berros
Palavras de coragem e gestos sinceros
Mas nеm tudo é evidente еm palco
Porque até ele existe um percurso que pouca gente sabe
[Verso 2: Jimmy P]
Tenho a cabeça numa nuvem de fumo
Se ninguém ousa falar do que se passa aqui, então eu assumo
E vou por tudo no lume
Eles estão distantes, mas querem ver de perto, eu faço zoom
Vida de bastidores, trago a verdade, chega de rumores
Do que acontece nestes corredores
Atrás da fama, tu julgas que é um mar de rosas
Até lidares com essa gente, sem princípios e valores
É só gente sem escrúpulos
Peço a bênção de Deus, antes de cada show em mais uma oração de grupo
Mais uma vez
Dez minutos para o stage call e eu a pensar em pagar as contas ao fim do mês
Pressão é sufocante
Obrigado a subir ao palco, a minha avó faleceu só umas horas antes
É um sentimento estranho
Mas eu devo isso ao meu público e vou subir nem que seja a chorar baba e ranho
[Verso 3: Jimmy P]
A minha vida num inferno
Fortunas em chamadas para angola por falta de um conselho materno
Com vontade de desistir para te dizer a verdade
E é quando vem ao de cima a minha fragilidade
Demasiado emotivo
O meu manager diz que só querem um motivo para poder crucificar-me vivo
Eles falam mal de mim, isso só me torna credível
Mas foda-se, mais real do que isto é impossível
Queimam o meu nome na praça
Querem-me contratar de borla, eu digo:
“Arranjem quem o faça de graça”
Esse é o motivo pelo qual eu impero
Estou a ser pago ma nigga, a concorrência é sempre a custo zero
Tanta proposta tentadora
Recebo uma chamada para fazer favores a uma promotora
E eu 'tou de férias em Vilamoura
E eles à espera que eu caia nessa conversa da carreira promissora
Eu estou em modo “piças no ar”
Paga o que deves
Esporra nesses cabrões, até os meus tomates ficarem leves
Mas a seu tempo, tu percebes
Que há bons momentos, mas aqui são demasiados breves
Entre os que amam e te dizem bem alto
E os que não me falam desde que eu dei o salto
A tentar dar o empurrão ao meu puto JêPê
E atrás da guita p'ra lançar o meu primeiro CD
E pôr a faturar a minha Storytellers
Para um dia isto dar guita e todos terem uma parcela
Digo aos meus para não baixar a guarda
No fim do show dás por ti apaixonado e nos lençóis com uma cabra
Isto é o que se passa por detrás das cortinas
Tu só vês as coisas boas porque as más não imaginas
Isto é o que se passa por detrás das cortinas
Tu só vês as coisas boas porque as más não imaginas
[Verso 4: JêPê]
Desde os EPs Soulmood que eu sou tema de conversas
Era tudo sobre rap, eu trouxe soul para esses rappers
Há quem me chame demasiado emotivo
Sem conhecer a história por trás de tudo o que rimo
Pois bem, não é que guarde rancor de nenhuma ex minha
E muita gente pensou isso com a "Velha Cantiga”
Só gravei o que gravei pela razão
De saber que ia haver quem se revisse nessa canção
P'ra quem se identifica
E diz que as minhas músicas são uma espécie de terapia
P'ra quem se sente só e se comove com o que eu digo
Por parecer que dou voz a tudo o que ele também tem sofrido
Não é que guarde rancor, mas quando existe dor
Opto sempre por escolher o ódio ao amor
É uma espécie de auto defesa
Por já ter sofrido que chegue na adolescência
Odeio essas cadelas
A anedota é que os meus fins de noite eram sempre em alguma casota
Eu sei, é idiota defender com convicção
Tudo o que acabava por contradizer em cada acção
Faz parte do crescimento
E acredito que errar nesse tempo fez de mim o homem que sempre quis ser
Hoje vês-me seguro em palcos e sons
A tentar fazer disto o meu futuro
A dar no duro com a equipa
Seja na estrada com o Jimmy ou em estúdio com o Reis, ele que vos diga
Ter o Raez e o Rusty incansáveis do meu lado
A produzirem-me beats para darmos vida a um álbum
Passar horas à minha porta com o Ricardo
A desabafar, desde o tempo em que só ele tinha carro
São esses tempos que me mantêm os pés assentes
Porque o meu sucesso, eu devo-o à minha gente