[Letra de "Dores"]
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\n[Intro]
\nAhn, yeah, ahn
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\n[Verso 1]
\nMeus pensamentos mais parecem um empecilho
\nTipo um elefante branco na porra da minha garagem (Na garagem)
\nEu tô há um tempo estressado e cansado
\nIsso não se resolveu nem com a minha última viagem
\nFérias, foda-se, o rap tá me dando grana
\nSó não tá me dando paz, e isso é até um paradoxo
\nEu faço merda sete dias por semana
\nMano, vê se não explana, mas me sinto tri neurótico, ahn
\nMesmo assim ganho dez vez mais que os cara
\nQue sempre disseram: "Para, 'cê não vai virar no Sul"
\nFеchei a cara, a ferida semprе sara
\nAgora consulta o meu saldo, eu engoli tua facul'
\nMas se eles soubesse que não fiz isso por din'
\nDesde o início foi assim, é só o puro desabafo
\nSe eles soubesse que nem eu ligo pra mim
\nParariam de dizer que essa porra toda é fácil
\nNão foi, não vai ser, então me escuta
\nNão confunda ter ambição com ser uma puta
\nConduta muda, mas mantenho a minha essência
\nBem diferente dos que vivem de aparência, pô, ahn
\nJá tem uns meses que eu ando meio frustrado
\nÀs vezes fico calado lembrando de anos atrás
\nSaí de casa e me senti meio de lado
\nCaminho tão conturbado igual o divórcio dos meus pais, é
\nFiquei confuso e culpei a porra toda
\nMas, no final, que se foda, essa vida é uma Babilônia
\nÉ que a mágoa às vezes me leva à lona
\nE o resultado dessa soma: várias noite de insônia, é foda
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\n[Refrão]
\nTem coisas que eu queria nunca mais lembrar
\nTenho rezado toda noite pra esquecer
\nFeridas que nunca mais vão cicatrizar
\nNo fim, a dor também faz parte de viver
\nTem coisas que eu queria nunca mais lembrar
\nMas se eu nunca arriscar, não vou saber
\nSe um dia as feridas vão cicatrizar
\nNo fim, a dor é o caminho pra vencer
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\n[Interlúdio]
\nAhn, depois de tanto tempo eu entendi que não vale a pena
\nEu pensar sobre decepções, dor ou o fardo que eu tenho que carregar
\nNa real, a dor é só uma parte do caminho, mas não o final dele
\nEu vou ir pra cima e foda-se (Yeah, ahn)
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\n[Verso 2]
\nPior de tudo é que eu sei que a frustração
\nPesa como um grilhão me afundando nesse lixo
\nHá dias que eu boto em cheque meu talento
\nAchando que só virei porque era rap por nicho
\nParei de ouvir buchicho, falador e drama
\nOpiniões que não pedi, mano, eu tô cansado disso
\nMuito antes dessas letras darem grana
\nEu já escrevia com a alma, além de ofício, virou vício, é
\nPerdi mulheres, amigos e grana
\nDo tipo que diz que ama e 'cê fica sem resposta
\nÉ que, pra ser sincero, eu tô acostumado
\nA viver nesse mundão que te apunhala pelas costas
\nCom a ferida exposta, ah, doeu demais
\nTratei quem não merecia de uma forma agressiva
\nNão que eu quisesse ser tão ruim assim lá atrás
\nA maior parte do tempo eu vivi na defensiva
\nEu não queria, mas eu sou minha poesia
\nNão confunda educação com simpatia
\nConduta muda, mas mantenho a minha essência, é
\nBem diferente dos que vivem de aparência
\nTenho dois lados: um ruim e outro pior
\nTodo dia querem fazer uma merda diferente, então
\nAntes de julgar, me conheça melhor
\n'Cê não tá ligado a guerra que eu travo na minha mente, é
\nEssa letra é só uma confissão
\nÚnica opção, ser durão, marque as cicatrizes
\nÉ que a neurose às vezes me bate forte
\nE o resultado desses golpes multiplicam as cicatrizes
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\n[Refrão]
\nTem coisas que eu queria nunca mais lembrar
\nTenho rezado toda noite pra esquecer
\nFeridas que nunca mais vão cicatrizar
\nNo fim, a dor também faz parte de viver
\nTem coisas que eu queria nunca mais lembrar
\nMas se eu nunca arriscar, não vou saber
\nSe um dia as feridas vão cicatrizar
\nNo fim, a dor é o caminho pra vencer\n\n