[Verso 1: Nocivo Shomon]
\nSobrevivente, quebrada carente
\nO coração sente, botei pra cantar
\nDescarrega o pente, caneta potente
\nQuebrando corrente, vim pra canetar
\n
\nRealidade em cima da batida
\nRap, mais uma vida que vai resgatar
\nTentando entrar na mente do menor
\nPra depois o sistema não matar
\n
\nQuantos planetas irão colidir?
\nSem divisão pra visão expandir
\nMais que na escola com rap aprendi
\nOuvindo Sabotage e Dina Di
\n
\nLivra do ódio, coração Ghandi
\nDobrando joelhos com Deus conversar
\nLei da palavra, maluco entendi
\nCom a fé Mar Vermelho posso atravessar
\n
\nEm nome do pai, do filho, sangue, do Espírito Santo
\nMe proteja da maldade e me cobre com teu manto
\nEle enxugou o pranto, é perdão no mundo insano
\nMe livrando da Dalila e do soldado Romano
\n
\nQuem nunca errou, mano, somos frutos do pecado
\nMais de mil quilo de letra pelo Shomon traficado
\nO abandono do Estado, quinhentos anos de ostracismo
\nCorrupção é arte, pichação é vandalismo
\n
\nO racismo é velado, na TV foi revelado
\nMas adora nosso rap, som de preto e favelado
\nConvocação de monstro, mais um time escalado
\nPresidente igual Pelé: é um poeta calado
\n
\nMais um Judas é comprado, na rede mil juízes
\n'Tão caçando cancelado e fingindo ser felizes
\nEscritores de rua, deixo as marcas nas marquises
\nCom spray ou microfone dando voz às cicatrizes
\n
\n[Ponte 1: Nocivo Shomon]
\nDesculpa aí madame se a senhora se assustou
\nSomos apenas uma praga, que seu sistema criou
\n
\n[Verso 2: Gigante no Mic]
\nEu quero grana pra pagar as contas
\nTambém quero grana sobrando na conta
\nNão quero só as sobras, eu saí das sombras
\nE quero um sobrado que tenha varanda
\n
\nSó de 'tar vivo já valeu a pena
\nMeu maior motivo se chama Malena
\nNão fosse por ela eu já tinha partido
\nSou só um cavaleiro, ela é Atena
\n
\nPassando fase por fase
\nTem fase que é foda pra você passar
\nPerdi meu pai por Covid
\nEm duas semanas eu nem tava lá
\n
\nSaudade machuca se o tempo não cura
\nAinda finjo que não, só que tô deprimido
\nÉ foda explicar pra minha filha
\nQue aquele vovô tá em outro lugar
\n
\nJá fui evangélico, hoje eu sou Evangelho
\nFalam de Deus só da boca pra fora
\nO Melk ainda vive nas caixa de estéreo
\nSalva carinha, ficamo de cara
\nQue Deus dê conforto pra sua coroa
\nSeu rap tá vivo e sua vida no rap te tornou eterno
\n
\nA vida é passageira, pra que tanta correria?
\nQuanto sufoco e ainda tem louco rimando patifaria
\nSão poucos que ganham bem mais que a maioria
\nMuitos têm pouco, poucos têm muito
\nNão querem sua melhoria
\n
\n[Verso 3: Dj Caique]
\nEu rimo a vida mesma cheia de ferida
\nCaminhei bem pra decida ali pra porta de saída
\nE já caí no chão
\nMas de cabeça em pé eu me mantive
\nLembrei que quem escreve a história
\nAqui é só quem sobrevive ao caos
\nDos maus bocados
\n
\nSem sucumbir eu tenho fé que
\nO hip-hop salva quem se permitir
\nEnsina quem quer aprender, motiva quem quer prosperar
\nE mostra que não é só por você que vai ter que lutar
\n
\nE é pra enfrentar esse mundo
\nE é por você, pelo seus e os outros
\nColetivo aqui é pra poucos
\nE muitos querem ser ricos, mas ocos
\nSem compromisso
\nPor isso são uma viagem que só ficam loucos
\n
\nMesmo
\nA esmo eu não estou e sei pra onde vou
\nPrincipalmente o que eu deixo aqui quando eu me for
\n2022, olha o preço do arroz, o presidente que cês pôs
\nNão dá pra escrever disso depois
\nÉ agora
\n
\nOlha pra fora vê se tá tudo bem
\nNas esquinas medos e angústias se misturam bem
\nNas redes fakes são doidos pra ser alguém
\nPorque na vida real nem sabem quem são
\nNunca atrasei ninguém
\nConduta mostra quem é quem
\nPapo reto vai e vem
\nE sempre, na mesma direção
\n
\nEu quero que você me ouça não que você me siga
\nTe levo pra luta, não pra briga
\nGratidão
\n
\n[Verso 4: Iago DZ]
\nAqui toda esquina conta uma vida curta, uma fita longa
\nUma rima conta pra quem escuta (só pra quem escuta)
\n
\nDeus é quem julga, ele deu fora da área
\nFugi da escola, mas estudei a trajetória da bala
\nA história não para
\n
\nFoi um, vem outro, a vida é ping-pong
\nVai se impondo, o King Kong atrás de um jing-jong
\n
\nMas sempre que eu te vejo com o trinta e oito
\nMe vem tudo de novo, um desse junto com o Diogo
\n
\nOs bons vão cedo, soube disso antes
\nPerdoa, Pedro, eu nunca disse antes
\nNessa vida a gente é visitante, nunca fiz bastante
\nTodo irmãozinho deixou o crime do beat do Yang
\n
\nCada lugar, uma lei
\nRespeita a sua vez
\nDina Di me disse uma vez
\nConfia nunca neles
\nNocivo me chamou pra ir na R.U.A 13
\nSe quiser me achar, eu tô na Rua DZ
\n
\n[Ponte 2: Dow Raiz]
\nÉ mais que fase, é um golpe de autodefesa
\nInformação é clamor, punho de resistência
\nUm bom lugar do soldado que fica
\nÉ tipo formiga, é o enxame, é a zika
\n
\n[Verso 5: Atitude Consciente]
\nEu aprendi a falar com poucos, amizade é coisa rara
\nConfiança é só no pai, evita decepção de quem trai
\nEu aprendi a apreciar minha presença e hoje tô melhor assim
\nUma mesa solitária, na taça dose de gin
\n
\nÉ na fumaça que vários clareia a mente
\nInsano, inconsequente sem entorpecente
\nO coração fraco e a mente doente
\nPra eu enxergar mais claro aquilo que tá na frente
\nSaudade der aos mais carentes
\nTe faz acreditar que vai encontrar de novo lá na frente
\nNa lei do olho por olho, pente por pente
\nRespeito e honra são coisas retrocedentes
\n
\nQuando você morrer não leva nada
\nNessas ideias vários 'tão envelhecendo duro
\nQuando a idade chegar não aguenta nada
\nQuando teve forças não fez pra garantir o futuro
\n
\nNa vida louca eu aprendi
\nQue o inimigo não manda flores
\nTiros é o que sobrou pra hoje
\nNa madrugada o bicho pega e o couro come
\nReflexos de uma mente pensante
\n
\n[Verso 6: Ylsão Negredo]
\nA rua é pau para muitos
\nSão poucos amigos pacificadores comigo
\nDeus é abrigo, confia: ele é poucas ideia
\nErrar não é areia os pente é plateia
\nMente é alcateia
\n
\nO roubo é a meta
\nLetra certa alerta, a rota na reta, na curva deu seta
\nNem testa, nem tudo é festa, os homi erram
\nOs que desconfessa que erraram, errou
\nDisparam o terror
\n
\nAção maldito da corporação cuzão
\nNão é rap violento, não
\nPapo de visão
\nAssalto, intenso calor
\n
\nMulher, menor, vapor, dou amor
\nDetalhe, se rir não se espalhe
\nNão me atrapalhe, quer colher, trabalhe
\n
\nA rua ensina o game
\nO crime condena o crime
\nGueto real é o filme
\nQuem morre, desfalca o time
\nQuem vive, o sistema oprime
\nVeneno no verso, universo reverso
\n
\nMundo bandido
\nAprender sem pensar, tempo perdido
\nBendito, estado de espírito
\nNem sempre juiz usa apito
\n
\nA vítima
\nA dona da firma
\nMentirosa afirma
\nSabe, duvida a dívida
\n
\nHá vida à ser vivida
\nDoce demais, diabete
\nAmarga o chiclete
\nEstica o debate
\nVida imita a arte
\nA conta não bate
\nDetecto o covarde
\nColete no baile num vale
\n
\n[Verso 7: Flávio Dark]
\nPrimeira vez que eu fui preso, meu mano
\nFoi porque cuspi na cara de um polícia
\nSegunda vez porque tava na pista
\nTerceira vez, tentativa homicídio
\nEu sei que eu era inocente mas a promotora
\nE o juiz disse que eu tava envolvido
\nAntes de eu caguetar, eu vou morrer
\nNas treva no inferno, quebrado e fudido
\n
\nDentro X9 não vive comigo
\nJack lá morre não vive comigo
\nTudo lá dentro é mais caro né primo
\nNão vou mentir, também uso eu preciso
\n
\nPoucas ideias, quadrilhas e gangues
\nMas mando um salvão pra quem fecha comigo
\nLei do silêncio importante também
\nTransparência pro nosso progresso né primo
\n
\nTrinta e duas horas dentro da cela
\nSó duas horas lá fora no pátio
\nNão vou mentir, djow, aqui não me encaixo
\nPrefiro viver em estúdios e palcos
\nPra viver só de rima não é fácil
\nMelhor ter pouco e ser livre, né, parça
\nFazer fortuna vendendo narcótico
\nE gastar tudo pra agradar advogado
\n
\nVai tirar 10 e me fala se sua mulher espera
\nSeu menor tá na biqueira
\nE cê já sabe se ele der mancada
\nSeu próprio parceiro vai passar rasteira
\nHoje chegou um boletim de ocorrência
\nDe assassinato e a coisa tá feia
\nO seu parceiro foi morto na rua
\nE cê já sabe quem, mas cê tá na biqueira
\n
\nSe ele cair bota ele na minha cela
\nEu vou fazer o que o diabo deseja
\nConheço vários demônio firmeza
\nDo tipo que mata e depois vai pra igreja
\n
\nDeus é o juiz, Deus é o juiz
\n
\n[Verso 8: Dow Raiz]
\nA pedra maldita invade a quebrada
\nMas não devasta tanto quanto a mira
\nMaldosa das operação fardada
\nFazem lei pra matar o picho, farsa
\nMas não tem lei pra acabar com a fome
\nQue tem sobre as calçada
\n
\nFalo por cada gente abandonada
\nQue vivem do resto dos porcos
\nQue fazem de prisão a enxada
\n
\nCaçaram Renato
\nMas ninguém caça o Greca
\nDe ter nojo de gente abandonada
\n
\nTempo louco, rancor e mau sentimento
\nAntes da obrigação das máscara
\nJá tinha gente de máscara, faz tempo
\n
\nNos matam a todo tempo, ano todo
\nE fingem que nos amam
\nToda vez que chega 20 de Novembro, o roubo
\n
\nDa nossa cultura
\nMente, não tudo que cê leu
\nEu tinha que ganhar três salário
\nPelo o que seu bisavô já fez com o meu
\n
\nE seu doutor, também acredito em Deus
\nMas o Deus que eu acredito, graças a Deus
\nNão tem nada a ver com seu
\n
\nPunho fechado, pelos que já partiram
\nPobre é tipo alvo, andando no meio dos tiro
\nA viatura passou, graças a Deus não me viram
\nEstavam quase dormindo esperando meu vacilo
\n
\n[Ponte 2: Dow Raiz]
\nÉ mais que faz é um golpe de autodefesa
\nInformação é clamor, punho de resistência
\nUm bom lugar do soldado que fica
\nÉ tipo formiga, é o enxame é a zika\n\n