[Verso 1] Não me adianta, saltar a tampa Nem mesmo quando viro trapo com tanta trampa Sempre me ensinaram, puto quando cai levanta Caso te tirem o tapete tens de ter uma manta Segui os conselhos, dei ouvidos aos mais velhos Coisas que em tempos modernos vocês nem afrontam, fedelhos... (Nos bons velhos tempos era assim...) Também brincava num jardim onde não haviam patos feios Manias ou rodeios, tudo miúdos feitos e de corações cheios Sem medos nem receios, cowboyadas sem tiroteios Onde o estatuto não dependia dos teus meios Mas hoje nada disso importa né? Levar comigo um passado rico é das merdas que me conforta Outros tempos, juntos no centro a baliza era a porta Ou lá no banco do bloco a ver se a vida ia direita ou torta Tudo muda, tudo floresce cresce e parte Uns prás ruas uns prás gruas outros prá arte Vi alguns pisar a terra, outros a basarem pra Marte Uns com a vida mais ordeira, ou a viver num mundo á parte Cada um segue, cada um cede e não se perde Quando a origem também é bem empregue... E eu de mala ás costas á espera que o comboio me pegue... [Refrão] E dizer que tudo passa e só fica a saudade Quem partiu sem dar destino e fez da vida arte É levar-me por aí, neste passo de dança Se o tempo me prender, eu pago a fiança! [Verso 2] Rebobino a fita da cassete com uma bic É aí que a nostalgia entra e me sobe a pique Ouço o tic ouço o tac passa o tempo TIC TAC Felizmente ainda há contacto com a maioria da click Desde o punk hardcore àquele mais Beto Cada um no seu melhor a definir o seu trajecto E tasse bem, está tudo bem é o que importa Um gajo encontrasse por aí pra matar uma canhota Sem chance, por mais que esta metragem avance É bom que um homem não canse nem se esqueça daquela data E sem chance, entra a meio aquele romance, primeiro transe primeiro lance primeira mulata Primeiro encontro com a paixão que me casei Os outros foram tantos que eu agora de cor já nem sei... Os dois ritmados passo a passo! [Refrão] E dizer que tudo passa e só fica a saudade Quem partiu sem dar destino e fez da vida arte É levar-me por aí, neste passo de dança Se o tempo me prender, eu pago a fiança!
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"Tic Tac" appears on "O Baptista" in 2017.
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