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Mês de Maio Lyrics by Eduardo Taddeo

O Necrotério dos Vivos

2020

[Letra de "Mês de Maio" com Eduardo Taddeo]
[Verso 1: Eduardo Taddeo]
Quando te encaminharam pro exame necroscópico
Deram início ao meu luto patológico
Nunca superei seu nome no obituário
Ver você aos 48 anos de idade num carro funerário
Te ver partindo num caixão que a prefeitura doou
Ser uma estátua tumular de um renomado escultor
Não pude pagar pra pôr na lápide sua fotografia
Fazer um jardim, que uma mãe como você merecia
Me perdoa por não ter entrado no Citibank pra assaltar
Pra poder bancar um hospital particular
Com convênio no HCor, em vez de sepultura
Era alta, depois dos exames e a cura
Mas no Saboya foi mais um prontuário entre mil
Onde o médico mata por omissão e finge que não resistiu
A gente tinha que incendiar o transporte municipal
Por cada homicídio transformado em morte natural
Quis dar o revide pro mundo afogando no ofurô
Um boy daqueles que roubou o que eu tinha de mais valor
Se não fosse a Fátima e o rap amenizar a depressão
Tinha acabado na Cracolândia ou com mandato de prisão
Queria que você tivesse me visto no palco
Rimando contra o crime organizado do Planalto
Infelizmente só te mostrei meu primeiro disco
Deixando na sua cova numa tarde de domingo
[Refrão: Jota Ariais]
Odeio quando o mês de maio chega
Traz de presente a saudade e a tristeza
Sem "feliz dia das mães", sigo em luto e sonhando
Em te reencontrar pra dizer: "te amo"
Odeio quando o mês de maio chega
Traz de presente a saudade e a tristeza
Sem "feliz dia das mães", sigo em luto e sonhando
Em te reencontrar pra dizer: "te amo"
[Verso 2: Eduardo Taddeo]
Sua morte não repercutiu na imprensa brasileira
Foda-se a pedinte na gaveta da geladeira
Não decretaram três dias de luto oficial
Não foi feriado, não transmitiram ao vivo seu funeral
Nunca vou esquecer você todo dia
Me esperando no portão da escola Duque de Caxias
"Mãe, não venho mais estudar, todo mundo dá risada
Não tenho uniforme, só roupa doada"
Quando pequeno te culpei por não ter brinquedo novo
Por estar direto na casa dos outros esperando almoço
Sem poder pagar aluguel, sempre a Kombi levando
Nossos móveis e mais um despejo doando
Lembro da gente chorando sem parar
Quando descobriu que o Baby ia parar de andar
Muito mano pensa que a mãe quer ele prosperando
Driblando a delegacia de repressão à assalto a banco
Ela só quer que você diga o que sente por ela
Mas, não, como o trouxa aqui, quando o coveiro jogava terra
Só você sabe, mãe, quantas vezes te pedi
Pra espírito de luz aparecer pra mim
Daria tudo pra ouvir tua voz de novo nas manhãs
Cantando a música "Oceano", do Djavan
Que pena que não deu tempo de conhecer sua netas
De ser chamada de "vó" pela Duda e a Gabriela
[Refrão: Jota Ariais]
Odeio quando o mês de maio chega
Traz de presente a saudade e a tristeza
Sem "feliz dia das mães", sigo em luto e sonhando
Em te reencontrar pra dizer: "te amo"
Odeio quando o mês de maio chega
Traz de presente a saudade e a tristeza
Sem "feliz dia das mães", sigo em luto e sonhando
Em te reencontrar pra dizer: "te amo"
[Verso 3: Eduardo Taddeo]
Eu sei que é algo inusitado pr'um rico
Ver alguém pedir esmola e dividir num cortiço
Logo o boy que pra aumentar o patrimônio
Prostitui a filha em matrimônio
É louco, quem nem conhecia o abecedário direito
Me ensinou a amar o próximo, não ter preconceito
É tanta dor que eu penso: "Como é possível?"
Pais que são espancados pelos próprios filhos
Filhos que matam os pais por bens materiais
Suzane Von Richthofen, Gil Rugai
Vacilei quando cheguei com aquela bike em casa
Falei que era emprestada, mas era roubada
Depois colou o dono humilhando, pagando de rico
"Não vou chamar a polícia, mas educa seu filho"
Eu sei que você fingia que tava sem apetite
Pra que sobrasse mais comida e a gente dividisse
Que saudade de você dando bronca brava
Quando eu chegava com os óculos com as lentes quebradas
Que saudade do seu sorriso lindo de vitória
Quando conseguimos pro Baby uma cadeira de rodas
Jurei no seu caixão aos prantos, desesperado
Que não deixaria impune seu assassinato
Minha vingança é lutar pra que outras Marias do Rosário
Não revirem lixeiras pelo cardápio diário
[Refrão: Jota Ariais]
Odeio quando o mês de maio chega
Traz de presente a saudade e a tristeza
Sem "feliz dia das mães", sigo em luto e sonhando
Em te reencontrar pra dizer: "te amo"
Odeio quando o mês de maio chega
Traz de presente a saudade e a tristeza
Sem "feliz dia das mães", sigo em luto e sonhando
Em te reencontrar pra dizer: "te amo"

About “Mês de Maio” by Eduardo Taddeo

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